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IA no consultório: o que os conselhos já disseram

Rascunho com revisão e autoria assumida: o que CFP, CFFa e COFFITO orientam hoje.

6 min de leituraPublicado em

Mesa perto da janela com um caderno aberto de anotações à mão, uma caneta, uma xícara de chá e um notebook de costas.

Para usar IA no consultório você não precisa esperar uma lei nova. Os conselhos de Psicologia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional não estão no mesmo ponto sobre o assunto, e este guia mostra onde cada um está, o que já vale e o que fazer na prática.

Em uma frase

A IA pode ajudar a redigir, mas o registro continua sendo seu: você confere tudo, assume a autoria e protege o dado do paciente. Isso já estava nas regras de sempre, antes de qualquer norma sobre IA.

O que o CFP já disse

Dos três conselhos, só o Conselho Federal de Psicologia tem, até onde encontramos, orientação específica sobre IA. Em julho de 2025, ele divulgou uma nota de posicionamento que afirma que “a IA não substitui o juízo, técnico ou ético” da psicóloga e do psicólogo. Em dezembro de 2025, publicou o guia “Inteligência Artificial na Psicologia: guia para uma prática ética e responsável”, que se apresenta como um conjunto de orientações gerais, não como resolução. Na seção de perguntas e respostas, ele diz:

  • Para laudos e relatórios, usar IA como rascunho é possível, com “revisão integral, autoria assumida e transparência” de que foi ferramenta de apoio. A responsabilidade pelo conteúdo é sempre da psicóloga.
  • Sobre inserir dados de pacientes, a resposta é “evite”. Se for indispensável, anonimize com rigor, use soluções com contrato de confidencialidade e bases privadas, e registre o consentimento da pessoa atendida. E: “Não insira prontuários, nomes e itens identificáveis e desative treinamento com seus dados.”
  • Usar IA no trabalho depende do uso: só como ferramenta de apoio, com supervisão técnica, registro crítico do uso e sem violar sigilo nem consentimento.

O Manual orientativo de registro do CFP (2025) segue a mesma linha. A IA pode ajudar a organizar, redigir e padronizar, mas o conteúdo clínico, como interpretações, conclusões e hipóteses, é elaborado exclusivamente pela psicóloga, e a responsabilidade pelo documento não pode ser terceirizada a máquinas ou softwares.

E o CFFa e o COFFITO?

Em 12 de outubro de 2026, procuramos nos sites dos dois conselhos e em buscas na web, e não encontramos resolução, nota ou guia específico sobre IA no registro ou nos documentos clínicos. Sem orientação própria, valem as regras gerais, que apontam para o mesmo lugar do CFP: o registro é de quem o faz.

ConselhoOrientação específica sobre IAO que vale de qualquer modo
Psicologia · CFPSim: nota de julho de 2025, guia de dezembro de 2025 e Manual de registro de 2025.O conteúdo clínico e a responsabilidade pelo documento são da psicóloga.
Fonoaudiologia · CFFaNão encontramos.A fonoaudióloga não delega as suas anotações a outro profissional (Res. 777/2025, art. 3º). É infração ética evoluir prontuário com informação que não corresponda aos fatos e emitir relatório ou laudo que não corresponda aos fatos ou do qual não tenha participado (Código de Ética, art. 11, IX e X). O sigilo vale para tudo o que se sabe do cliente (art. 23).
Terapia Ocupacional e Fisioterapia · COFFITONão encontramos.O prontuário leva a assinatura de quem prestou a assistência (Res. 415/2012 e 414/2012, art. 1º, § 1º, VIII). Os códigos de ética proíbem assinar trabalho que não executou ou do qual não participou (Res. 425/2013, art. 25, VIII, para T.O.; Res. 424/2013, art. 25, VII, para Fisioterapia) e exigem segredo sobre fato sigiloso (art. 9º, IV, e art. 32, I).

Nenhuma das normas das duas últimas linhas fala de IA. A leitura prudente é a de que um registro finalizado com a sua identificação é seu, venha o texto de onde vier. Essa leitura é nossa, não dos conselhos: em caso de dúvida, pergunte ao seu conselho regional.

E a lei?

O marco legal da IA no Brasil, o Projeto de Lei 2338/2023, ainda não é lei. O Senado o aprovou em 10 de dezembro de 2024, e ele chegou à Câmara em março de 2025. Em 12 de outubro de 2026, está na comissão especial, aguardando o parecer do relator, com último andamento registrado em 2 de setembro de 2026. Enquanto isso, vale a LGPD: dado de saúde é dado sensível, e enviar dados a um serviço no exterior segue as regras de transferência internacional (art. 33).

Como contexto, e sem valer para estas profissões: o Conselho Federal de Medicina publicou a Resolução CFM 2.454/2026 em 27 de fevereiro de 2026, com vigência 180 dias depois. Segundo o CFM, a IA deve ser usada exclusivamente como ferramenta de apoio, e o médico segue como responsável final pelas decisões. Ele precisa registrar em prontuário o uso da tecnologia como suporte à decisão e informar o paciente. É um sinal da direção que as regras da saúde tomam.

Boas práticas, em ordem

  1. Não cole prontuário, nome nem dado que identifique a criança em ferramenta aberta de IA. Se for indispensável, anonimize de verdade e leia o contrato antes (CFP).
  2. Se a ferramenta permite, desative o uso das suas conversas para treinar o modelo (CFP).
  3. Dê o mínimo: só o trecho necessário à tarefa, sem nome, escola, endereço nem outro detalhe que reconheça a criança ou a família (LGPD, art. 6º, III).
  4. Confira cada frase contra o que você observou e registrou. O que a IA afirmou sem apoio no seu registro sai.
  5. Deixe com você o que é ato seu: diagnóstico, interpretação, conclusão e conduta. O CFP diz que o conteúdo clínico é só da psicóloga, e os códigos de ética do COFFITO põem o diagnóstico sob responsabilidade do profissional (art. 12).
  6. Assuma a autoria: finalize você, com o seu nome, e registre que usou IA como apoio. É o que o CFP chama de transparência e de registro crítico do uso.
  7. Converse com a família. O CFP pede informar a pessoa atendida sobre o uso da IA e o papel dela, com consentimento livre e esclarecido. Para CFFa e COFFITO não achamos regra específica, mas informar é coerente com o princípio da transparência da LGPD (art. 6º, VI).

Como a Blummy ajuda

Na Blummy, a Inteligência é opcional e vem desligada: quem administra o espaço a liga. Ligada, ela só prepara rascunhos, e cada frase sobre o paciente aponta a fonte no prontuário; o que não tem fonte vem marcado, assim como o texto que parece diagnóstico ou prescrição. O nome do paciente é trocado por “[paciente]” no que vai ao modelo, mas isso não torna o texto anônimo: nomes de familiares, de escola e detalhes que você escreveu em texto livre seguem como estão. Aceitar um rascunho não finaliza nada: o texto entra no seu rascunho, depois do que você já escreveu, com a marca de gerado com apoio da Inteligência, e você revisa, ajusta e finaliza. O modelo pode ser de um provedor externo; quando é, a Aura, a assistente do app, avisa na tela. A Blummy não usa prontuários para treinar modelos, e em Psicologia não há rascunho com IA para os documentos da Res. CFP 06/2019. Ela não registra o consentimento da família para o uso de IA: informar e decidir continua com você.

Fontes consultadas

Conteúdo informativo, conferido nas fontes oficiais em 12 de outubro de 2026. As orientações dos conselhos podem mudar. Não substitui orientação jurídica nem a consulta ao seu conselho profissional.

Dúvidas

Perguntas sobre este assunto

Posso usar uma ferramenta de IA aberta para escrever a evolução?

O CFP orienta evitar inserir dados de pacientes. Se for indispensável, anonimizar com rigor, usar solução com contrato de confidencialidade, registrar o consentimento e desativar o treinamento com seus dados. Colar o prontuário ou nomes não é o caminho. Para CFFa e COFFITO não achamos regra específica, e valem o sigilo e a responsabilidade pelo registro.

Preciso avisar a família que usei IA?

O CFP pede que você informe a pessoa atendida sobre o uso da IA e o papel dela, com consentimento livre e esclarecido. Para CFFa e COFFITO não achamos regra específica, mas combinar com a família é coerente com o sigilo e com a transparência da LGPD (art. 6º, VI). A Blummy não registra esse consentimento: um termo pode ficar guardado como documento do paciente.

A IA pode redigir o relatório para a escola?

Como rascunho e com revisão integral, é o que o CFP admite para laudos e relatórios. Mas o relatório é uma comunicação sua, com finalidade e destinatário definidos, e o que entra e o que fica de fora é decisão sua. Revise frase a frase e tire o que passa do mínimo necessário. Em Psicologia, a Blummy não oferece rascunho com IA para os seis documentos da Res. CFP 06/2019.

O que muda se o modelo for de um provedor externo?

O texto da tarefa vai a esse provedor, e o que ele faz com ele segue a política dele. Por isso a Aura avisa na tela quando o modelo é externo, e os rascunhos clínicos só são gerados por um modelo externo com uma liberação explícita da Blummy. Em outubro de 2026, essa liberação está ligada e o provedor é a Anthropic, nos Estados Unidos. A página de Segurança descreve o caminho; decida se isso basta no seu caso e informe as famílias.

A Blummy tem aval do meu conselho para usar IA?

Não. Nenhum conselho certificou ou aprovou a Blummy. A Inteligência vem desligada, e usá-la ou não é decisão sua. O que o CFP orienta sobre revisão, autoria e transparência vale para qualquer ferramenta, inclusive a dela.

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